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Linguagem verbal e visual

fevereiro 11, 2011 4:02 am

 Sabe-se que o homem vem construindo a própria história desde os primeiros momentos em que se postou sobre a terra; lutando para sobreviver entre os demais animais.

Criou e cria o enredo da vida por meio de escolhas, de seleção de opções. Opta pelo avançar ou pelo recuar, pela omissão improdutiva ou pela reação criativa, transpondo, assim, o seu pensar, o seu mundo subjetivo (interno) para o mundo real, com o qual precisa manter uma relação de convivência, de sobrevivência.

Dessa forma, o homem, que, antes do falar, sonhou, escolheu a reação criativa e se diferenciou dos demais animais. Ele imaginou e recriou, na tentativa de representar desejos e emoções que o constituíam, o mundo, por meio de pinturas em paredes e rabiscos na terra. Em outras palavras, deu o pontapé inicial para as artes visuais, para a comunicação entre os homens para além do gestual do próprio corpo. Inaugurou a linguagem visual[1], estática individualmente e coletivamente dinâmica.

Em seguida, ao alcançar o domínio de articulações fônicas, e a habilidade de ordenar cadeias de sons em uma seqüência sintática que permitisse a transmissão de informações complexas, o homem inaugura uma segunda forma de expressar as necessidades humanas que o afligiam. Instituiu a comunicação pelo uso da linguagem verbal[2].

Observemos as imagens a seguir:

1.   2.  3.

 Ao determos-nos para apreciar imagens como essas, notamos que elas nos revelam muito mais que cores e desenhos estáticos; elas revelam as emoções e fatos que afligiram o autor ou o contexto dele.

A nossa primeira imagem[3], por exemplo, expressa a visão que o pintor tem sobre as estrelas, destacadas em forte tom pelo amarelo que se mistura formando uma correnteza com um céu escuro; ao invés de escrever sobre as sensações que tinha sobre uma noite estrelada, materializou o pensamento por meio da pintura. Revelando um ato de fuzilamento, a segunda pintura[4], por sua vez, nos dispõe a impressão do conflito vivido pelo povo espanhol durante a invasão napoleônica: de um lado os impotentes esperando a Morte, do outro, os potencialmente armados invasores, sem contar os mortos ao chão e o homem de braços abertos e de branco, destacando-se na tela. Por fim, nossa última e famosa pintura[5] renova a retratação da mulher renascentista; o olhar dessa mulher enigmático, assim como o sorriso, encara o observador, convida-o a refletir sobre o próprio enigma que é o Homem.

Como podemos ver, a expressão visual pode ser tão comunicativa quanto a verbal, legando para o receptor um amplo repertório de informações, sensações e, até em alguns casos, opiniões; além disso, percebemos o quanto é comum o uso da linguagem verbal e da linguagem visual em contextos independentes e até mesmo em cooperação, como na tirinha a seguir:


[1] Comunicação por imagens.

[2] Comunicação que se utiliza de palavras expressas de forma escrita ou apenas oral, mas que estão ordenadas por um princípio lógico comum a uma comunidade.

[3] A Noite Estrelada de Vincent Van Gogh.

[4] Três de Maio de 1808 em Madri de Francisco de Goya.

[5] Mona Lisa de Leonardo Da Vinci.

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